Nus Se Terra - Nus Se Komunidadi - Nus Se Adranse - Nossa Herança

.

welcome, bonbiní, bienvenue, ようこそ, bienvenido, selamat datang

.

"Pintura"

Colabore connosco

Salvem a nossa cultura - Salvasang kum nus se kultura - Save our culture

Comunidade Kristang (cristã)

Atravessei o oceano em direcção ao Oriente.
Cheguei a Malaca onde os portugueses atracaram os barcos há 500 anos.
Aqui continuam bravos e orgulhosos das nossas tradições.

BEM VINDOS(as) AO PORTUGUESE SETTLEMENT

Pedido de colaboração para a Festa São Pedro em Malaca

São Pedro é o Santo Padroeiro dos pescadores . Um marco importante deste festival é a bênção dos barcos dos pescadores locais, especialmente decorada para a ocasião. A festa depois continua com as danças tradicionais de folclore português de Malaca e baillarico na praça portuguesa.

Recebemos esta mensagem através do nosso compatriota Edward Kennedy, um pedido de suporte para comemorar a Festa de São Pedro no Bairro Português de Malaca.

"Is there any contribution from Portugal in any form to make our festa San Pedro a memorable one as its 500yrs portuguese in Melaka, can they like send a dance troupe or even other entertainment for the festa San Pedro" Edward Kennedy, member of the Committee Painel Regedor in Portuguese Settlement, Malacca.

"Poderá existir alguma contribuição de Portugal, ou outro apoio para fazer a nossa festa de San Pedro memorável devido aos 500 anos da chegada dos portugueses a Malaca? Como se pode enviar um grupo de folclore de Portugal ou até mesmo outro tipo de algum entretenimento para a festa de San Pedro?" Edward Kennedy

Agradeciamos a todos que colaborem connosco na divulgação deste pedido com o objectivo de tentarmos em conjunto encontrar alguns apoios e suporte, grupos que estejam interessados em representar danças tradicionais portuguesas em Malaca ( Portuguese Settlement) entre outros.


Collaborate with us in the resquest of this application in order to try together to find some support, groups that are interested in representing traditional dances in Malacca (Portuguese Settlement) and others.

Muito obrigada.

Contactos:
Coordenadora Cátia Candeias
catiabcandeias@gmail.com

Associação Korsang di Melaka
korsangdimelaka@gmail.com

Visite e comente o nosso Jornal online


Este jornal tem como objectivo envolver a comunidade portuguesa de Malaca na partilha da nossa cultura entre o Bairro Português de Malaca e Portugal. Todo o material recolhido pelas pessoas da comunidade, irá no futuro ser trabalhado a nível linguístico e fonético, (com diferentes estilos de escrita). Todas as notícias serão apresentadas em três línguas.


Jenti portugues di Padri Se Chang ja skribe tudu nobas ne isti papel. Kauzu kerey tomah partri di nus se kultura kum kultura di tera Portugal. Tudu nobas logu teng ne linguasa di Portugal, papia portugues di Malacca kum ingles.


This newspaper is written by the participants from the the Portuguese community in the Portuguese Settlement. It' s main aim is to share the culture between the Portuguese of Malacca and the Portuguese of Portugal. All the written materials, will be in the future, the object of linguistic and phonetic study of our work. All news will be presented in three languages.


Editor: Cátia Bárbara Dias Candeias

Visite o Blog da Família Santa Maria

Uma casa à portuguesa.




O Blog "Bairro Português de Malaca" da Sara Frederica Santa Maria foi construído e desenvolvido por iniciativa de Cátia Candeias.

Este blog tem como objectivo a partilha de cultura do Bairro Português de Malaca como símbolo de identidade, resistência e sobrevivência.

Visite, partilhe e comente:
http://santamaria-familia.blogspot.com/

Dar o "Rostu" por Malaca - 500 anos

Partilha de opiniões:

"Por causa da Internet, somos a primeira geração a poder contactar directamente com este povo fantástico que, desligados de nós há mais de 400 anos, passaram por colonizações holandesas, inglesas e japonesas, sem nunca abdicar do seu elo cultural connosco. Mantiveram a língua, mantiveram a religião, mantiveram a música e as danças e ma...ntiveram o optimismo e boa disposição que nos caracterizam. Mantiveram vivo o encontro de culturas iniciado pelos nossos antepassados. Somos os primeiros, por isso, a ter a responsabilidade de os ajudar, agora que podemos, sem ter de nos deslocar lá, a conservar a sua tradição que também é a nossa. Dou o «rostu» por Malaca e por todos os Kristang, onde quer que estejam, e exorto todos os meus amigos de Portugal a fazerem o mesmo. Vamos mostrar a estes valentes que estamos com eles. Vamos tomar consciência que existem e que são parte dessa grande herança que todos partilhamos: a Portugalidade. «Mutu grandi merseh», Malaca".
António Graça


"Dar o rosto por Malaca é só a continuação do que nós portugueses deveriamos ter feito durante os últimos 400 anos e não fizemos. Já vai sendo tempo de reconhecer que era mesmo isto que, salvo erro, Fernando Pessoa queria dizer quando afirmava que os portugueses "deram novos mundos, ao mundo" Sempre fomos muito bons em dar mundos que não existem só na realidade, mas no espaço de um imenso fundo do coração. Estarei sempre com os nosso irmãos de Malaca e com todos os Kristang, onde quer que se encontrem no mundo. Afinal será o mínimo que se pode fazer pelo respeito que eles me merecem".
Manuel Castelo Branco

"Aqui faço um registo de saudade do Edward, este colosso de homem que em jovem foi imitador fiel de Michael Jakson, este membro do painel do Regedor que foi e é responsável pela animação cultural da praça portuguesa, este promotor de eventos, com todas as aparelhagens em stock, este criador de gatos persas nas traseiras de sua casa, es...te «intérprete» de Louis Armstrong, este fotógrafo amador que nas ruínas da «Famosa» tira retratos a turistas que queiram posar com a sua iguana gigante, a mesma que se passeia por casa juntamente com a família toda, este habitante do Bairro Português que fala tamil, chinês, inglês e «português de malaca», este divertido «macaco» com quem toda a gente se dispõe bem, este lojista de artesanato a quem comprei o saco que trago a tira-colo, um par de calças e uma t-shirt, mais uns discos de música local, com quem fui às compras de música malaia e de «vidrilhos e passamanarias», este disc jockey da comunidade, conhecedor do branio e das tendências locais - enfim, uma síntese progressiva das pessoas do Bairro na sua dinâmica de integração com todos, na sua valorização plena do espírito do «portuguese settlement». Um grande abraço de amizade, do tamanho do Índico".
José Costa Machado

"MUITO BEM!!!Resido em Lisboa donde sou natural mas ando a fomentar o ensino da nossa língua nas comunidades de «portugueses abandonados» e estava preocupado com Malaca até que Vocês me informam.Votos das maiores felicidades no desempenho dessa missão".
Henrique Fonseca


"Eu já estive em Malaca e é pena que Portugal não se importe com aquele povo que tanto faz para não perder o contacto nem a cultura do nosso país. Emociona chegar ali e ouvir falar o nosso portugues antigo. Um abraço para todos os que lutam pela continuação da nossa cultura além mar".
Ana Miranda


"Desejo sinceramente que Portugal, neste novo ano, apoie mais todo o fantástico trabalho que estás a desenvolver! A minha modesta contribuição para 2011 será fazer-me sócia da Associação Malaca e passar a palavra! É incrível como passados 370 anos temos uma comunidade de quase 1500 pessoas a dizer que são Portugueses e com tanto amor a Portugal!!! Foste uma pioneira neste projecto, só posso aqui exprimir o quão maravilhoso e fascinante Malaca é!!! Toca mesmo o coração!!! Faço votos que em 2011 continues cheia de força!!! Tudo, mas tudo de bom para ti e para todos os PORTUGUESES DE MALACA, envio um KORSANG gigante com 2011 Beijinhos e cheio de Saudades.
Ivete Pedro

Ementa Trilingue - 500 anos de Sabores Cruzados




Aprender através do sabor.
O Projecto Ementa Trilingue - 500 anos de Sabores Cruzados nasce por iniciatica de Cátia Candeias.


A comida e a forma como cozinhamos é por vezes a reveladora dos nossos valores culturais. É também uma atracção como produto turístico pois acaba por revelar a cultura alimentar de uma cidade ou País, despertando sensações e interesse nos viajantes e turistas.










Muitos turistas visitam o Portuguese Settlement para provar o delicioso peixe, marisco, caril entre outros. Apesar da comunidade ter os seus próprios pratos tradicionais, famosos em toda a Malásia, foi-nos pedido que fizessemos uma demonstração de alguns pratos portugueses.


500 anos de Sabores Cruzados - Cultura alimentar contou com a colaboração de Tomás Pires, turista voluntário da Associação Korsang Di Melaka que esteve no Bairro Português de Malaca durante 3 meses a colaborar com Cátia Bárbara Candeias, coordenadora do Projecto Povos Cruzados-Futuros Possíveis.

Dar "Rostu" por Malaca (comunidade luso-descendente de Malaca)

Exposição Virtual "Dar Rostu por Malaca" (1511-2011)

Por uma minoria (comunidade luso-descendente de Malaca)


"Pintura" de Pedro De Silva no Restaurante Lisbon, onde trabalha e passa a maior parte do tempo a receber turistas de toda a parte do Mundo.

O Evento:

Clique no link para participar - http://www.facebook.com/event.php?eid=173269312717214


Dar "rostu" por Malaca nasce devido às celebrações dos 500 anos (1511-2011). Há 500 anos os portugueses atracaram os barcos em Malaca. Pretendemos incentivar o dinamismo cultural entre Portugal - Malaca - Malásia, enfatizando questões culturais, tradicionais, de reconhecimento, participação, desenvolvimemto comunitário, identidade entre outros.

Escolha um "rostu", um rosto, um amigo, uma cara dos nossos compatriotas luso-descendentes e coloque no seu perfil do facebook ou twitter com a respectiva legenda durante o ano de 2011. Celebraremos por eles, por vós, por nós, por esta comunidade que continua a preservar as nossas tradições portuguesas em Malaca (com todas as suas influências orientais), com alma e sem preço.

Dá o teu "rostu" por um dia, 1 semana, 1mês, o ano inteiro ou em dia especial.

Se já visitou a Comunidade do Portuguese Settlement (Bairro Português de Malaca) e quiser partilhar fotos também serão bem vindas.

Pretendemos que seja uma exposição virtual da Comunidade Luso-descendente de Malaca - via internet durante 2011.

É na partilha que reside a nossa evolução. Se não partilharmos ninguém saberá. Ao longo desde ano (2011), será divulgado um album com fotografias onde poderá escolher uma fotografia ou como se diz em Malaca uma "pintura".

Abraço de Malaca com muita saudadi.

Povos Cruzados - Futuros Possíveis
http://www.povos-cruzados.blogspot.com/

Para uma exposição " real " sobre a comunidade luso-descendente de Malaca, disponibilizamos material em formato digital.

Contactar:
Coordenadora do Projecto
Cátia Bárbara Candeias
catiabcandeias@gmail.com

Colabore connosco.


The event Give a "face" to Malacca (Dar o "rostu" por Malaca) was created to celebrate the 500 years (1511-2011) of friendship between Portugal and Malacca.

We want to encourage continued cultural interchange between Portugal and Malaysia, giving emphasis to culture, traditions, recognition, participation and community development.

Choose a "face" (rostu), a hero, a friend, a face from within the Malacca Portuguese Community and place it on your profile with a short summary during the year 2011. We will celebrate on their, your and our behalf this community that still preserves Portuguese traditions in Malacca (with all its influences) with so much soul and in a priceless manner.

If you've visited the Portuguese Settlement Community and you want to share your photos with us, you are most welcomed to do so.

We want to have a virtual exhibition of the Malacca Portuguese Community via facebook throughout the year of 2011.

It is by sharing that we evolve. If we don't share our knowledge nobody will know anything. Throughout this year (2011), we will publish a Photo Album where you can choose one photo or, as it is said in Malacca, a "pintura".

A big hug with much "saudadi" (longings).

The Cultural Association Coração em Malaca / Korsang Di Melaka gives its "rostu" (face) to all of them!

Virtual Exhibition "Dar Rostu por Malaca" up to December 2011

Um Líder de 78 anos

Noel Felix



"A nossa língua ninguém pode comprar com pataca (dinheiro).
Quando nasci para o mundo, a minha mãe já falava português e eu bebi do seu leite. Falamos português muito antigo".
Noel Felix

A nossa Rua tem o nome D'Albuquerque

O Senhor George Edgar de 78 anos de idade conta que este ano 2011 faz 500 anos que Afonso De Albuquerque chegou a Malaca. Diz-nos também que em 1511 Afonso De Albuquerque atracou os seus 18 navios de guerra cheios de soldados (aqui), no Estreito de Malaca.

Por isso é que existe uma Rua que tem o nome de Afonso de Albuquerque (explica).

Baseada nesta perspectiva foi desenvolvida uma actividade com as crianças:
"O nome da nossa Rua", com a "pintura" do rosto de Afonso De Albuquerque.




Pintura por Nicole Monteiro


Pintura por Celina Cassandra Monteiro


Pintura por Anabelle De Silva





Pintura por Maryane Alcantra


Pintura por James De Silva










Pintura por Gwendalyna Alcantra






Pintura de Shaun Lazaroo


Pintura de Catelina Stella De Silva

Pintura de Elton De Silva

Pintura de Justin Pereira



Pintura de Rihana Danker

"Lembransa" de família

No Bairro Português de Malaca, fotografia diz-se "pintura".

Antigamente as fotografias tiravam-se em dias muito especiais.

Ao longo da nossa vida tiramos "pinturas" para termos uma lembrança, para mais tarde recordar, para testemunhar o passado no presente. As fotografias antigas são preciosas e por vezes não são fáceis de encontrar.

Estas fotografias foram cedidas por Sara Santa Maria que está a fazer o seu álbum de família, mergulhando no baú dos seus pais, avós e antepassados.


Sara Frederica Santa Maria


Os avós:
Reginald Santa Maria
Margerate Lowe


Casamento dos pais:
Aloysius Santa Maria
Dolly Da Costa
Fotografia de casamento com ambas as familias. Como manda a tradição, familia Santa Maria (noivo) à esquerda e familia Da Costa (noiva) à direita.


Primeira comunhão da Prima Ira Santa Maria


Aniversário de Dolly Da Costa com a família.


Dolly Da Costa

Visite o blog da família Santa Maria desenvolvido no âmbito do projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis, coordenado por Sara Santa Maria, professora de educação especial.
http://www.santamaria-familia.blogspot.com/

Malaca com a Geografia das Amizades

Seguindo os passos de Fernão Mendes Pinto, Gonçalo Cadilhe e Vasco, passaram por Malaca e pousaram as suas mochilas no Bairro Português de Malaca, Portuguese Settlement.

Desta visita resultou um artigo e parte do documentário inserido no âmbito das comemorações dos 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto.

Artigo da Revista Visão Vida & Viagens Dezembro/Janeiro.
2010-2011




"No âmbito da comemoração dos 500 anos do nascimento de Fernão Mendes Pinto, provavelmente o maior aventureiro português, o autor Gonçalo Cadilhe apresenta um documentário dividido em dois episódios de 50 minutos cada sobre a vida, as viagens e a obra “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto. O documentário decorre nalguns dos países do Oriente por onde Mendes Pinto passou, nomeadamente Índia, Indonésia, China, Japão, Vietname, Malásia e Cambodja. É portanto um documentário de viagens, num registo informal e mochileiro, em que Gonçalo Cadilhe vai interligando os lugares por onde passa e as experiências que vivencia com temáticas da História de Portugal e Universal do período dos Descobrimentos, com questões polémicas relacionadas com a biografia de Fernão Mendes Pinto e naturalmente com episódios da Peregrinação. Tal como declara no início do documentário, Gonçalo Cadilhe não pretende reconstituir os itinerários da Peregrinação, tarefa aliás ingrata se não mesmo impossível dadas as imprecisões da obra, nem sequer apresentar uma biografia tout-court de Fernão Mendes Pinto. Pretende-se, isso sim, “lançar pistas, abrir portas, provocar reflexões” sobre a maior obra de literatura de viagens da língua portuguesa e toda a conjuntura histórica que a envolveu. Para além das cenas “on the road”, que constituem a principal fatia do documentário, “Nos Passos de Fernão Mendes Pinto” tem a participação de vários académicos portugueses, da área da História e da Literatura, especializados em Fernão Mendes Pinto".

Informação retirada daqui:
http://www.rtp.pt

Malaca sente.

Desejamos a todos um bom (bong) ano (anu) novo (nobu) 2011.



Chocolate recebido no Bairro Português de Malaca.

Medan Portugis



A Praça Portuguesa, também conhecida como Medan Portugis - Portuguese Square, foi construída em meados dos anos 80 como referência ao típico Mercado Português.


Nos dias de hoje, a Medan Portugis apresenta um aspecto diferente, mais colorido, conhecido pelos turistas como "Mini Lisbon".



©Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © ALLRIGHTS RESERVED

A reviver o tempo das "castanholas"

Na época do Natal ninguém escapa aos estalinhos e bombinhas, uma tradição popular muito apreciada pela geração mais nova. As crianças andam em grupos de três ou quatro a largar estalinhos a qualquer pessoa que passe pelo Bairro Português de Malaca.
Depois fogem a rir.

No ar fica o cheiro a pólvora...







Saudações Natalícias



©Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © ALLRIGHTS RESERVED

A Casa do Coração em Malaca

Na Rua D'Albuquerque.

"A Casa Korsang Di Melaka".











Este ano queremos desejar Bom Natal e Bom Ano Novo em 3 línguas a todas as familias da comunidade e turistas que passam o Natal no Portuguese Settlement.

Colaboração: Empresa Slingshot, Michael Banerji e Agnes Fernandis (familia que alberga a Cátia), Cátia Bárbara Candeias, Tomás Pires, Jothi Nagei, Jenny, Anselm Fernandez, Julie Biscoits.

Obrigada a todos. Mutu grandi merseh.

A comunidade de Tugu, Jacarta

O Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis tem sido desenvolvido na base da partilha de informação cultural. Povos, pessoas, comunidades, que se interligam ao longo da nossa história, representando o passado, o presente e evoluindo com o futuro.

Convidámos Sara França, Leitora do Instituto Camões em Jacarta, para escrever sobre a comunidade de Tugu em Jacarta-Indonésia, comunidade de descendentes de Portugueses, que foram para Jacarta de Malaca, Cochim, Ceilão entre outras regiões.



A comunidade de Tugu, Jacarta, por Sara França.

A comunidade de Tugu vive numa aldeia, a nordeste de Jacarta, chamada Tugu. Esta zona de Jacarta é muito caótica, barulhenta e poluída devido à proximidade do portode Tanjung Priok. Este porto é o principal do país, é enorme, com os seus cerca de 430hectares, e tem um tráfego incessante. As estradas desta área de Jacarta têm um trânsitosempre congestionado pelos inúmeros camiões de carga que vão e vêm do porto. Assim, podem imaginar que não é muito fácil nem agradável o caminho até Tugu! No entanto, quando avistamos o pequeno cemitério da aldeia, começamos a relaxar um pouco. Saindo da estrada infernal e transpondo o portão de entrada, soltamos enfim um suspirode alívio e de prazer: chegámos a Tugu. Fico sempre admirada com o aconchego, a limpeza e o encanto daquele lugarejo, afinal tão próximo da estrada infernal mas aomesmo tempo tão distante.

Esquecemo-nos completamente dos camiões, do monóxido de carbono e do bulício enervante de onde viemos e entramos num mundinho à parte, com uma bela igreja branca do século XVII, encimada por telhas vermelhas, ao lado deum cemitério bem cuidado, com uma escola e uma biblioteca (construída com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian), um jardim e muitas árvores de fruto. Continuando mais para Este, mais para dentro, atravessamos o rio Cakung e vamos dar à aldeia propriamente dita: formada por ruelas retas e perpendiculares onde encontramos pequenas moradias com alpendres e vasinhos com flores. Nesta aldeia não vive apenas a comunidade de Tugu, vivem também indonésios de outras partes do arquipélago: das ilhas Celebes, das ilhas Molucas ou doutras regiões de Java.

Neste momento, vocês devem estar a perguntar-se o que é que a comunidade de Tugu terá de especial para eu perder tanto tempo e palavras a descrever a sua aldeia.


Há várias versões da origem da comunidade de Tugu. A mais comum mente aceite éa de que se trata de uma comunidade de descendentes de mestiços Portugueses e de antigos escravos de Portugueses: um grupo de Mardjikers que habitava a então chamada Batavia (nome por que era conhecida Jacarta nos tempos da administração holandesa).

Para compreender quem eram os Mardjikers, é preciso um pouco mais de História.
Jacarta foi conquistada pelos Holandeses em 1619 e grande parte da sua população não era indígena. Inicialmente, vieram habitantes da costa de Coromandel e da costa do Malabar na Índia, recrutados pelos Holandeses para trabalhar como soldados do exército colonial e como guardas para manter a paz em Batavia, impedindo revoltas locais. Estes homens eram apelidados de Mardjikers (termo do sânscrito atribuídono período Hindu a religiosos ou monges que não pagavam impostos), pois estavam isentos de pagar impostos. Mais tarde, surgiram escravos oriundos das ilhas Molucas,que trabalhavam nos navios ou na construção de fortes, estradas e outros projetos. Por bom comportamento ou pelos bons serviços prestados, estes escravos eram muitas vezes libertos – e passavam a ser chamados Mardjikers também, não porquenão pagassem impostos, mas porque eram livres.

Finalmente, depois do declínio do império colonial português no Sudeste Asiático em meados do século XVII, chegaram comerciantes, artesãos e aventureiros oriundos de Malaca, Ceilão, Cochim e Calecute– estes estrangeiros, com mais talento, conhecimento e experiência no convívio com os Europeus, tornaram-se funcionários públicos, proprietários de lojas e empregados em entrepostos comerciais. Socialmente, misturavam-se com os Mardjikers. Estas três levas de emigrantes acabaram por se fundir numa comunidade mais ou menos homogénea durante o século XVII. Eram os chamados “Portugueses Negros”. O que é que estagente – de países e regiões diferentes; de grupos sociais, culturais e profissionais diferentes – tinha em comum? A língua e a religião.


Todas estas pessoas tinham vindo de regiões onde Portugal estivera presente, quer comopotência colonizadora quer apenas como agente comercial, tendo sofrido a influênciada língua, religião e cultura portuguesas. Todas elas adotaram o Português como línguade comunicação e durante quase dois séculos o Português foi efetivamente a língua de comunicação em Batavia: entre Europeus e nativos de diferentes países e mesmo entreos próprios Asiáticos que vinham dos seus diferentes países para Batávia. Ao contrário do que se imaginaria, a religião dos “Portugueses Negros” não era o catolicismo. Todos eles foram convertidos ao Calvinismo em Batávia, devido às imposições rígidas dos Holandeses – que, no entanto, não conseguiram converter-lhes a língua. Os Tugu descendem de um grupo de Mardjikers a quem os Holandeses ofereceram um terreno (onde fica a aldeia de Tugu), em 1661, pelos bons serviços prestados à Companhia das Índias Orientais.

Apesar de todas as vicissitudes, este pequenino enclave manteve vivo um crioulo debase lexical portuguesa, o Papiá Tugu, até 1978 – ano em que morreu Jacob Quiko, o então chefe da comunidade e único falante da língua. Atualmente, esse crioulo sobrevive apenas nas letras das canções de Keroncong que eles cantam. O Keroncong é um tipo de música que nasceu no seio desta comunidade e que é hoje em dia considerado um tipo de música nacional de grande popularidade. A sua origem remonta ao século XVI, quando marinheiros portugueses trouxeram com eles a sua música e instrumentos ao arquipélago indonésio. No entanto, é também possível sentir uns resquícios desse belíssimo crioulo, muito semelhante àquele falado em Malaca, em algumas expressões quotidianas que ficaram cristalizadas e que os membros da comunidade ainda usam.

Os Tugu são protestantes. Fazem questão de assumir e exibir a sua diferença relativamente aos “outros”. Orgulham-se da sua ascendência portuguesa, gostam de beber vinho, de comer carne de porco, dançam aos pares, falam com brio da sua fisionomia europeia e dos seus narizes longos, riem-se desbragadamente e dão-se acomentários brejeiros (o que contrasta imenso com a cultura javanesa que preza a moderação e a cerimónia) e adoram conviver, cantar e dançar.

Em 2008, a então Leitora do Instituto Camões em Jacarta, Maria Emília Irmler, criou – com a assistência de uma jovem indonésia que aprendera danças tradicionais portuguesas em Macau, a Pipita – um grupo de danças tradicionais portuguesas constituído por membros da comunidade.

São os Romeiros de Tugu.

Finalizemos, então, com uma canção de Keroncong chamada “Kafrinju”, que fala sobre uma mestiça portuguesa de Goa, cantada em crioulo de Tugu pelo chefe da comunidade: Andre Michiels.


Deixo-vos, também, a belíssima letra da canção de Keroncong “Moresco”, considerada uma canção do folclore português do século XVI, em crioulo e em português.



Um abraço de Malaca para a comunidade de Tugu.
Obrigada Sara por este testemunho.
Muitas Mercês.


©Projecto Povos Cruzados - Futuros Possíveis © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS © ALLRIGHTS RESERVED